No ano de 1957 teve inicio o
primeiro curso de Terapia Ocupacional, por iniciativa da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), em Instalações na Rua do
Fidié (actual Escola de Enfermagem S. Vicente de Paulo). Desde o
inicio que o Ensino da Terapia Ocupacional sofre influências dos
modelos Anglo-saxónicos. Os primeiros professores de Terapia
Ocupacional eram do Reino Unido e os primeiros formados fizeram
o seu estágio no Reino Unido e Estados Unidos da América.
Só a partir do 3º curso, a
responsabilidade da orientação dos cursos passou a ser feita por
Portugueses (excepção feita para os anos 68 e 69).
Em 1966 foi fundada oficialmente a
Escola de Reabilitação de Alcoitão (ERA), actual Escola Superior
de Saúde de Alcoitão (ESSA). Esta foi a única Escola de Terapia
Ocupacional durante as décadas de 60 e 70. Os candidatos
precisavam do mesmo nível de educação, que aquele que
necessitavam para a entrada num curso Universitário.
Em 1982 são criadas as Escolas
Técnicas dos Serviços de Saúde de Lisboa, Coimbra e Porto, tendo
a última iniciado o ensino do curso de Terapia Ocupacional sob
tutela do Ministério da Saúde.14 Esta Escola começou
a funcionar dentro das instalações de um hospital psiquiátrico,
o Hospital Magalhães Lemos. O programa do curso de Terapia
Ocupacional foi desenvolvido por um conjunto de profissionais a
colaborar com a Escola. O director do programa foi um Psiquiatra
do próprio Hospital Magalhães Lemos e os professores eram
profissionais de várias Instituições do Porto e outras cidades
do País, intervindo nas diferentes áreas da Terapia Ocupacional.
A filosofia do currículo era Mecanicista e o seu enfoque era na
função.
Durante muito tempo,
quem fizesse o curso de Terapia Ocupacional recebia um diploma,
mas não podia progredir na carreira académica para um nível mais
alto de formação. Através do Curso Complementar de Ensino e
Administração, os Terapeutas conseguiam progredir a nível de
carreira, mas não a nível académico. Só havia essa possibilidade
com a realização do “CESE”, obtendo o diploma de Estudos
Superiores Especializados.12 Segundo informações
fornecidas pela Presidente da Associação Portuguesa de
Terapeutas Ocupacionais, Terapeuta Sílvia Gonçalves, este
diploma dava ao Terapeuta a possibilidade de progredir
academicamente, dando acesso a cursos de Pós-graduação, Mestrado
ou Doutoramento. Deste modo, equivalia a um diploma de uma
Licenciatura.
No início de 1990, o governo
exigiu que as duas Escolas implementassem um currículo comum.
Esta fase durou 4 anos e em 1993 a educação de Terapia
Ocupacional foi integrada no Sistema de Ensino Superior.
Assim, as Escolas
passaram a designar-se por Escolas Superiores de Tecnologia da
Saúde. Os cursos aqui ministrados passaram a ter o grau de
Bacharel e total autonomia na organização do currículo.
No ano seguinte, por
pedido da SCML é reconhecida a ERA como Instituição de Ensino
Superior Particular, passando a denominar-se por Escola Superior
de Saúde de Alcoitão.
Em 1999, o currículo
do curso foi novamente alterado, promovendo sucessivas
actualizações no programa de Ensino da Terapia Ocupacional. Este
novo programa inclui uma maior reflexão científica do que está a
mudar no Mundo da Terapia Ocupacional, isto significa que, os
alunos começaram a tomar conhecimento dos Modelos da Prática e
abordagens da Terapia Ocupacional, incluindo as metodologias de
investigação e o uso dos instrumentos clínicos para a avaliação
do cliente.
No ano 2000 em Diário da
Republica, é aprovado o regulamento geral dos Cursos de
Licenciatura Bietápica em Tecnologias da Saúde de Coimbra (ESTSC),
Lisboa (ESTSL) e Porto (ESTSP). Em Maio dá-se inicio o
funcionamento da Licenciatura Bietápica em Terapia Ocupacional
na ESTSP. No mesmo ano é autorizado o funcionamento da
Licenciatura Bietápica na ESSA.
A maioria dos Terapeutas
Ocupacionais frequentou o curso sob o Paradigma Mecanicista, sem
referência de modelos profissionais. Assim, passar da Função à
Ocupação é um processo difícil para a maioria dos profissionais,
uma vez que os Modelos, por vezes estão muito distantes da
prática profissional. A recusa à mudança também começa nas
Instituições onde os Terapeutas trabalham, que erguem muitas
barreiras burocráticas para as novas abordagens e para o uso da
abordagem centrada no cliente. As duas Escolas e a Associação
Portuguesa de Terapia Ocupacional estão a fazer esforços para
ultrapassar esta situação. Devido à mudança no Ensino da Terapia
Ocupacional, com a aprovação do grau de Licenciatura nas duas
Escolas Nacionais, os profissionais que se graduaram há vários
anos e que possuem o grau de bacharelato, têm a possibilidade de
fazer o 2º Ciclo, relativo à licenciatura. Este facto permite às
Escolas actualizar estes profissionais dentro do Paradigma
Emergente da Terapia Ocupacional.
No Apêndice I podemos encontrar
uma tabela com os principais Factos Históricos da Terapia
Ocupacional em Portugal.
Nota: No sentido de
organizar os resultados das questões, deste estudo, referentes
ao ano de conclusão do bacharelato e também da licenciatura, os
anos foram organizados em 4 grandes classes, de acordo com a
História da Terapia Ocupacional em Portugal.
Na tabela 1, essas quatro
fases encontram-se resumidas.
|
Anos |
Factos Históricos |
|
1959 |
Única Escola de
Terapia Ocupacional em Alcoitão; Formação dos
primeiros profissionais. |
|
1987 |
Saem os primeiros
Terapeutas formados pela Escola Técnica dos Serviços
de Saúde do Porto. |
|
1994 |
Grau de bacharelato
em Terapia Ocupacional nas duas Escolas nacionais;
Escolas reconhecidas como estabelecimentos de Ensino
Superior. |
|
2001 |
Saem os primeiros
Terapeutas com o Grau de Licenciatura. |
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1 -
Resumo de quatro fases importantes da Terapia Ocupacional em
Portugal.
A relação entre o Enquadramento e
a UT – III, é que o primeiro actualiza, revê e incorpora os
elementos (áreas de desempenho, componentes de desempenho e
contextos de desempenho) delineados no segundo recentemente
substituído.