Luzia Iara Pfeifer – Doutora em Educação
Docente do curso de terapia ocupacional da UEPA
- Universidade do Estado do Pará
RESUMO : Este trabalho tem como objetivo
apresentar a prática clínica desenvolvida pelo
terapeuta ocupacional utilizando como recurso o
computador, junto a crianças com atraso no
desenvolvimento. Esta prática fundamenta-se no
modelo da ocupação humana de Kielhofner e,
assim, procura desenvolver os aspectos dos
subsistemas da vontade, habituação e desempenho
dessas crianças. O computador pode ser um
recurso muito útil ao terapeuta ocupacional se
estiver associado aos jogos pedagógicos, à cola,
à tesoura, ao lápis de cor, à massinha de
modelar, a bolas, aos balanços de integração
sensorial e tantos outros materiais que podem
favorecem o desenvolvimento global da criança,
desenvolvendo satisfatoriamente seu papel
ocupacional. O computador pode ser um
instrumento de comunicação em caso de crianças
gravemente comprometidas em seu aspecto motor;
pode também ser um estímulo a portadores de
deficiência mental na aquisição de conhecimentos
pedagógicos através da ludicidade dos softwares
educativos; além de auxiliar crianças com
déficit de aprendizagem através do
desenvolvimento da independência do processo de
aprendizagem, na memorização de conteúdos de
forma prazerosa, na identificação dos próprios
erros através do corretor ortográfico e a
possibilidade de corrigir sozinho. Cabe ao
terapeuta ocupacional ter domínio desse recurso
e, principalmente, identificar as dificuldades e
facilidades da criança a ser atendida, além de
analisar as necessidades de adaptações para a
utilização do computador, para propiciar o
desenvolvimento satisfatório da criança.
O computador deve ser utilizado pelo terapeuta
ocupacional como mais um recurso no processo
terapêutico na busca de desenvolver, segundo o
modelo da ocupação humana de Kielhofner (kielhofner
e burke 1990), os subsistemas da vontade,
habituação e desempenho da criança com atraso no
desenvolvimento.
O computador pode ser um recurso muito útil ao
terapeuta ocupacional se associado aos jogos
pedagógicos, à cola, à tesoura, ao lápis de cor,
à massinha de modelar, a bolas, aos balanços de
integração sensorial e tantos outros materiais
que favorecem o desenvolvimento global da
criança.
Para ferreira (2000) os recursos de multimídia
(som, imagem, texto) possibilitam um contato com
informações de forma mais rica, existindo a
possibilidade da criança conduzir seu processo
de investigação de forma mais autônoma,
possibilitando a produção de materiais que
apresentem uma beleza estética que ela não
conseguiria sem os recursos da informática.
Dentro de um contexto terapêutico o computador
passa a ser utilizado como uma tecnologia
assistiva, que segundo click (2000) é "todo e
qualquer item, equipamento, produto e sistema
que propicia ao indivíduo portador de
deficiência uma vida mais independente,
produtiva, agradável e bem sucedida através do
suplemento, manutenção ou devolução das
capacidades funcionais desta pessoa".
No caso de crianças portadoras de paralisia
cerebral o computador passa a ser um facilitador
no processo de aquisição da escrita, visto que
muitos casos a incoordenação é tamanha que a
preensão do instrumento de escrita torna-se
impossível, assim o computador passa a ser este
instrumento, contribuindo para o processo de
inclusão escolar. Assim o terapeuta ocupacional
terá como objetivo analisar qual a melhor
posição desta criança para a utilização do
computador, quais os recursos serão necessários
acrescentar ao computador para facilitar o uso
do mesmo pela criança (acionadores, colmeia
sobre o teclado, teclado ampliado, etc.), além
do treino da criança para que esta desenvolva os
subsistemas da vontade através do interesse em
ingressar numa escola inclusiva, de adquirir
conhecimentos sistematizados através da
escolarização e do desenvolvimento da auto
estima; da habituação através da interiorização
do papel ocupacional de estudante; e do
desempenho através da aquisição das habilidades
motoras para utilizar o computador.
No caso de crianças portadoras de deficiência
mental o computador auxilia na aquisição de
conhecimentos pela ludicidade dos softwares
educativos. Assim o terapeuta ocupacional deverá
identificar quais os déficits cognitivos que a
criança possui; contatar com a escola que a
criança estuda para identificar as dificuldades
que a criança está apresentando no processo de
aprendizagem, além de obter informações sobre o
conteúdo que está sendo ministrado; a partir
destes conhecimentos passa a traçar o programa
terapêutico, onde o uso do computador será mais
um dos recursos utilizados que terá como
objetivo desenvolver o interesse da criança pela
aprendizagem dos conteúdos acadêmicos, a melhora
da auto - estima visto que o computador permite
a demora da resposta de acordo com o processo de
elaboração mental de cada criança, além de
muitos jogos pedagógicos apresentarem reforços
positivos incentivando a continuidade no
processo de aprendizagem, e o desenvolvimento do
desempenho através da memorização do alfabeto,
da coordenação motora na habilidade de teclar e
manusear o mouse, além da melhora a atenção,
concentração, transposição de planos (horizontal
- teclado, para vertical - monitor). O terapeuta
ocupacional deve estar atento aos comportamentos
da criança no sentido de identificar se o
programa utilizado está facilitando o
desenvolvimento dos subsistemas ocupacionais ou
se há necessidade de alterações para conseguir
atingi-los.
No caso de crianças com distúrbios de
aprendizagem o computador pode ser um recurso
principalmente no desenvolvimento da
independência do processo de aprendizagem, na
memorização de conteúdos de forma prazerosa, na
identificação dos próprios erros através do
corretor ortográfico e a possibilidade de
corrigir sozinho. Para lucena (2000) Quando uma
criança usa o computador para criar um texto,
por exemplo, expõe suas idéias na tela, que
substitui o papel, começa a expor e dar
significado ao que pensa. Desta forma é possível
desenvolver os três subsistemas quando a criança
passa a ter vontade de adquirir os conhecimentos
acadêmicos, passa a assumir de maneira mais
segura seu papel ocupacional de aluno, além de
desenvolver uma melhora no desempenho no
processo de aprendizagem.
É difícil encontrar uma criança que não fique
fascinada ao entrar em contato com um
computador. O poder do mesmo como ferramenta
educacional é indiscutível desde que usada com
critérios, assim a escolha de software é muito
importante, nem todos os que se apresentam como
tendo uma proposta pedagógica de fato atingem
esse objetivo, eles devem "ensinar" sem que a
criança se sinta oprimida com o processo de
aprender, devem associar o conteúdo didático ao
processo lúdico, " Quando uma brincadeira é
divertida e envolvente a criança tem prazer em
praticá-la, e conta as horas até que possa
novamente repeti-la. Dificilmente a esquecerá,
mesmo que suas regras sejam complexas" (p. 4);
outro aspecto é o respeito do ritmo de cada
criança, das diferenças de interesses de cada
uma, das diferenças de estado de humor de cada
dia, etc. (jorge filho, 2000). Para lucena
(2000) é importante saber sempre qual o objetivo
está sendo trabalhado em sala de aula e que
software pode se adequar a esse objetivo.
A criança para aprender necessita do processo de
tentativa e erro, e o computador favorece esse
processo, ele não se cansa, o terapeuta
ocupacional deve permitir esse processo e apenas
colaborar incentivando a criança a tentar
novamente de outra maneira substituindo assim a
frase " está errado" que tanto prejudica a
formação da auto estima da criança.
As crianças em geral gostam de explorar, de ser
desafiadas, de desenhar, de ouvir estórias, etc.
Para jorge filho (2000) há dois grandes grupos
de softwares educativos : os de jogos criativos
e os de desenho e pintura.
Os primeiros usam diversão e a curiosidade
natural da criança para ensinar o que é menos
óbvio, estes softwares ensinam as crianças a
desenvolver os conceitos básicos, desenvolvem a
capacidade de resolver problemas, o pensamento
crítico e o raciocínio lógico, e envolvem um
grande número de atividades (idem) :
Ensinar a tomar decisões, mostrar conceitos de
comportamento social correto, cidadania, normas
de higiene, conceito de certo e errado.
Ensinar conceitos de ecologia, biologia,
reciclagem de materiais, dar nomes aos objetos,
identificar objetos usados em casa, escola,
cidade, campo, etc.
Ligar os pontos para formar figuras, compor
cenários, compor ambientes, vestir figuras de
modo adequado e variado, quebra cabeças, jogos
de memória, labirintos repletos de obstáculos,
desafios e objetos escondidos.
Reconhecimento de objetos, formas, letras,
números e noções de contagem.
Os programas de desenho e pintura desenvolvem a
criatividade e imaginação infantil. Através do
desenho a criança exercita seu lado criativo e
suas fantasias. Dentre os recursos utilizados
encontram-se :
Atividades: livros para colorir, construção de
cartões e cartazes, construção de objetos ou
ambientes a partir de uma galeria de formas
existentes.
Textos: Efeitos especiais na elaboração de
textos.
Animação: Slides, e possibilidade de se fazer
animações com seus próprios desenhos.
Ferramentas de pintura e desenho: Vários tipos
de lápis, pincéis, traços de formatos variados.
Galeria de objetos: Galerias de objetos e
formas, onde a criança pode selecionar uma
figura ou cenários de fundo.
Para lucena (2000) outra grande preocupação é
quanto aos aspectos ergonômicos, a criança pode
ficar horas na frente do computador, mas tem que
estar confortável, com os pés no chão, os braços
apoiados, o monitor na altura dos olhos. Aqui o
terapeuta ocupacional deve analisar cada criança
para adequar a postura para facilitar a
aquisição dos aspectos ocupacionais que se quer
atingir.
O terapeuta ocupacional deve desenvolver seu
próprio raciocínio clínico na habilidade de
perceber as possibilidades do uso do computador
como recurso terapêutico, as vezes um simples
editor de texto pode estimular a criança a
desenvolver a habilidade de escrita, as vezes um
programa de confecção de cartões pode estimular
a criança a produzir um presente para a mãe
desenvolvendo uma relação de afeto que pode
estar abalada em função da não correspondência
das expectativas quanto ao papel de estudante,
assim, aqui a análise de atividades deve estar
presente, o terapeuta ocupacional deve analisar
todas as possibilidades de cada programa, de
cada software, para poder atingir os objetivos
de tratamento de cada criança, de maneira
educativa, terapêutica e prazerosa. Conseguindo
a globalidade do ser ocupacional, que é o objeto
de estudo da terapia ocupacional.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KIELHOFNER, G., BURKE,J. P. Modelo de ocupação
humana : parte I. tradução de Maria Auxiliadora
Cursino Ferrari. Revista de Terapia Ocupacional
da usp. V.1, n. 1, p. 55 – 67, ago, 1990.
ferreira, p. v. p. O computador na escola. [on
line] http://uol.com.br/images/univtool.map .
2000.
click. O que é tecnologia assistiva. [on line]
www.click.com . 2000.
lucena, m. Nem toda criança gosta de computador.
[on line] ww.uol.com.br/psicopedagogia. 2000.
jorge filho, a. Como escolher um software
educativo para seu filho ou aluno. [on line]
www.uol.com.br/psicopedagogia. 2000.